O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - CAPÍTULO XIII 1074

3. Fazer o bem sem ostentação é um grande mérito; ocultar a mão que dá é ainda mais meritório; é o sinal incontestável de uma grande superioridade moral; porque para ver as coisas de mais alto que o vulgo, é preciso fazer abstração da vida presente e se identificar com a vida futura; é preciso, numa palavra, colocar-se acima da Humanidade para renunciar à satisfação que proporciona o testemunho dos homens e esperar a aprovação de Deus. Aquele que estima a aprovação dos homens mais do que a de Deus, prova que tem mais fé nos homens do que em Deus, e que a vida presente é mais, para ele, do que a vida futura, ou mesmo que não crê na vida futura; se diz o contrário, age como se não cresse no que diz.

Quantos há que não prestam um serviço senão com a esperança de que o beneficiado irá gritar o benefício sobre os telhados; que, na claridade, darão uma grande soma, e na sombra não dariam uma moeda! Por isso, Jesus disse: "Aqueles que fazem o bem com ostentação já receberam a sua recompensa"; com efeito, aquele que procura a sua glorificação na Terra pelo bem que fez, já pagou a si mesmo; Deus não lhe deve mais nada; não lhe resta a receber senão a punição do seu orgulho.

Que a mão esquerda não saiba o que dá a mão direita é uma figura que caracteriza admiravelmente a beneficência modesta; mas se há a modéstia real, há também a modéstia simulada, o simulacro da modéstia real; há pessoas que escondem a mão que dá tendo o cuidado de mostrar-lhe um pedaço, atento se alguém não a viu esconder. Indigna paródia das máximas do Cristo! se os benfeitores orgulhosos são depreciados entre os homens, que será deles, pois, perto de Deus? Estes também receberam sua recompensa na Terra. Foram vistos, e eles estão satisfeitos de terem sido vistos: é tudo que terão.

Qual será, pois, a recompensa daquele que faz pesar seus benefícios sobre o beneficiado, que lhe impõe, de alguma sorte, testemunhos de reconhecimento, lhe faz sentir a sua posição em exaltando o preço dos sacrifícios que se impôs por ele? Oh! para este não há nem a recompensa terrestre, porque será privado da doce satisfação de ouvir abençoar seu nome, o que é um primeiro castigo do seu orgulho; as lágrimas que seca em proveito da sua vaidade, em lugar de subirem ao céu, recaíram sobre o coração do aflito e o ulce-