| O CÉU E O INFERNO - PRIMEIRA PARTE - DOUTRINA - CAPÍTULO I - O FUTURO E O NADA | 1285 |
O CÉU E O INFERNO
SEGUNDO O ESPIRITISMO
PRIMEIRA PARTE
DOUTRINA
CAPÍTULO PRIMEIRO
O FUTURO E O NADA
1. Nós vivemos, pensamos, agimos, eis o que é positivo; nós morremos, e isso não é menos certo. Deixando a Terra, para onde vamos? Em que nos tornaremos? Seremos melhores ou piores? Seremos ou não seremos? Ser ou não ser, tal é a alternativa; é para sempre ou para nunca; é tudo ou nada: ou viveremos eternamente, ou tudo se acabará sem retorno. Vale bem a pena pensar nisso.
Todo homem experimenta a necessidade de viver, de gozar, de amar, de ser feliz. Dizei àquele que sabe que vai morrer que ele viverá ainda, que sua hora será retardada, dizei-lhe, sobretudo, que será mais feliz do que nunca fora, e seu coração vai palpitar de alegria. Mas, de que serviriam essas aspirações de felicidade, se um sopro pode fazê-las desvanecerem-se?
Há alguma coisa mais desesperadora do que esse pensamento da destruição absoluta? Afeições santas, inteligência, progresso, saber laboriosamente adquirido, tudo será aniquilado, tudo estará perdido! Qual a necessidade do esforço para se tornar melhor, da repressão para conter suas paixões, fatigar-se para adornar seu Espírito, se disso não se deve recolher nenhum fruto, sobretudo, com esse pensamento de que amanhã talvez isso não nos servirá para nada? Se assim fosse, a sorte do homem seria cem vezes pior do que a do animal, porque o animal vive inteiramente no presente, na satisfação dos seus apetites materiais, sem aspiração quanto ao futuro. Uma secreta intuição diz que isso não é possível.