| A GÊNESE - CAPÍTULO TERCEIRO | 1719 |
nenhuma parte, tem a uniformidade e a generalidade do instinto. Deus, em sua sabedoria, conduz, ele mesmo, os cegos, mas, confia às inteligências livres o cuidado de conduzirem os clarividentes, para deixar, a cada um, a responsabilidade dos seus atos. A missão dos Espíritos protetores é um dever que aceitam, voluntariamente, e que é, para eles, um meio de adiantamento, segundo a maneira pela qual o cumprem.
17. Todas essas maneiras de encarar o instinto são necessariamente hipotéticas, e nenhuma tem um caráter suficiente de autenticidade para ser dada como solução definitiva. A questão, um dia, será certamente resolvida, quando se tiver reunido os elementos de observação que faltam agora; até lá, é preciso limitar-se a submeter as diversas opiniões ao cadinho da razão e da lógica, e esperar que a luz se faça; a solução que mais se aproximará da verdade será, necessariamente, aquela que melhor corresponda aos atributos de Deus, quer dizer, à soberana bondade e à soberana justiça (cap. II, nº 19).
18. Sendo o instinto o guia, e as paixões os impulsos das almas, no primeiro período do seu desenvolvimento, se confundem em seus efeitos. Há, entretanto, entre esses dois princípios, diferenças que é essencial considerar.
O instinto é um guia seguro, sempre bom; em um tempo dado, pode se tornar inútil, porém, jamais nocivo; enfraquece-se pela predominância da inteligência.
As paixões, nas primeiras idades da alma, têm, de comum com o instinto, o fato de que os seres delas são solicitados por uma força igualmente inconsciente. Elas nascem, mais particularmente, das necessidades do corpo, e se prendem, mais do que o instinto, ao organismo. O que as distingue, sobretudo, do instinto, é que são individuais e não produzem, como este último, efeitos gerais e uniformes; vê-se, ao contrário, que variam de intensidade e de natureza, segundo os indivíduos. Elas são úteis, como estimulantes, até a eclosão do senso moral que, de um ser passivo, faz um ser racional; nesse momento, elas não só se tornam inúteis mas nocivas ao adiantamento do Espírito, no qual retardam a desmaterialização; enfraquecem-se com o desenvolvimento da razão.
19. O homem que não agisse, constantemente, senão