| A GÊNESE - CAPÍTULO SEXTO | 1752 |
Àqueles que estão religiosamente desejosos de conhecer, e que são humildes diante de Deus, direi, suplicando-lhes não basear nenhum sistema prematuro sobre as minhas palavras: o Espírito não chega a receber a iluminação divina que lhe dá, ao mesmo tempo que o livre arbítrio e a consciência, a noção de seus altos destinos, sem ter passado pela série, divinamente fatal, dos seres inferiores, entre os quais se elabora, lentamente, a obra da sua individualidade; é somente a partir do dia em que o Senhor imprime sobre a sua fronte o seu augusto tipo, que o Espírito toma lugar entre as humanidades.
Ainda uma vez, não construais sobre as minhas palavras os vossos raciocínios, tão tristemente célebres na história da metafísica; preferiria mil vezes calar-me sobre questões tão elevadas, acima das nossas meditações comuns, antes que vos expor a desnaturarem o sentido do meu ensino, e a vos mergulhar, por falta minha, nos dédalos inextricáveis do deísmo ou do fatalismo.
OS SÓIS E OS PLANETAS
20. Ora, ocorre que, num ponto do Universo, perdida entre as miríades de mundos, a matéria cósmica se condensa sob a forma de uma imensa nebulosa. Essa nebulosa está animada por leis universais que regem a matéria; em virtude dessas leis, e notadamente da força molecular de atração, ela toma a figura de um esferóide, a única que pode revestir, primitivamente, uma massa de matéria isolada no espaço.
O movimento circular produzido pela gravitação, rigorosamente igual, de todas as zonas moleculares para o centro, logo modifica a esfera primitiva para conduzi-la, de movimento em movimento, para a forma lenticular. Falamos do conjunto de nebulosa.
21. Novas forças surgem em conseqüência desse movimento de rotação: a força centrípeta e a força centrífuga; a primeira tendendo a reunir todas as partes ao centro, a segunda tendendo a distanciá-las dele. Ora, o movimento se acelerando à medida que a nebulosa se condensa, e seu raio aumentando à medida que ela se aproxima da