| A GÊNESE - CAPÍTULO SEXTO | 1769 |
moral, o espetáculo do qual fomos testemunhas. Quero falar do poder infinito da Natureza, e da idéia que devemos nos fazer do seu modo de ação nas diversas partes do vasto Universo.
60. Habituados, como estamos, a julgar as coisas pela nossa pobre pequena morada, imaginamos que a Natureza não pôde, ou não deveu agir sobre os outros mundos senão depois das regras que reconhecemos neste mundo. Ora, é precisamente nisso que importa reformar o nosso julgamento.
Lançai, por um instante, os olhos sobre uma região qualquer de vosso globo e sobre uma das produções de vossa Natureza: não reconheceis nela a marca de uma variedade infinita e a prova de uma atividade sem igual? Não vedes sobre a asa de um pequeno pássaro das Canárias, sobre a pétala de um botão de rosa entreaberto, a prestigiosa fecundidade dessa bela Natureza?
Que os vossos estudos se apliquem aos seres que planam nos ares, que desçam até a violeta dos bosques, que se afundem nas profundezas do Oceano, em tudo e por toda a parte, ledes esta verdade universal: A Natureza onipotente age segundo os lugares, os tempos e as circunstâncias; ela é una em sua harmonia geral, mas múltipla em suas produções; diverte-se com um sol como com uma gota dágua; povoa de seres vivos um mundo imenso com a mesma facilidade com que faz eclodir o ovo depositado pela borboleta de outono.
61. Ora, se tal é a variedade que a Natureza pôde nos descrever, em todos os lugares, sobre esse pequeno mundo tão acanhado, tão limitado, quanto mais devereis estender esse modo de ação pensando nas perspectivas de vastos mundos! Quanto mais devereis desenvolvê-la e nela reconhecer o poder extenso aplicando-a a esses mundos maravilhosos que, bem mais do que a Terra, atestam a sua desconhecida perfeição!
Não vedes, pois, ao redor de cada um dos sóis do espaço, sistemas semelhantes ao vosso sistema planetário; não vedes, sobre esses planetas desconhecidos, os três reinos da Natureza que brilham ao vosso redor; mas pensais que, do mesmo modo que um rosto de homem não