| A GÊNESE - CAPÍTULO OITAVO | 1798 |
resultado: o estado primitivo de incandescência do globo, a formação de uma crosta sólida pelo resfriamento, a existência de um fogo central, e a aparição da vida orgânica, desde que a temperatura a tornou possível. Elas diferem, contudo, em pontos essenciais, e é provável que, se Buffon vivesse em nossos dias, teria outras idéias.
O geologia toma a Terra no ponto em que a observação direta é possível. Seu estado anterior, escapando à experimentação, não pode ser senão conjetural; ora, entre duas hipóteses, o bom senso diz que é necessário escolher a que é sancionada pela lógica e que melhor concorda com os fatos observados.
TEORIA DA INCRUSTAÇÃO
4. Não mencionamos esta teoria senão para lembrança, tendo em vista que nada tem de científica, mas unicamente porque ela teve alguma ressonância nestes últimos tempos, e seduziu algumas pessoas. Ela se resume na carta seguinte:
"Deus, segundo a Bíblia, criou o mundo em seis dias, quatro mil anos antes da era cristã. Eis o que os geólogos contestam pelo estudo dos fósseis e de milhares de caracteres incontestáveis de ancianidade que fazem remontar a origem da Terra a milhões de anos, e, todavia, as Escrituras disseram a verdade, e os geólogos também, e foi um simples camponês (1) quem os colocou de acordo em nos ensinando que a nossa Terra não é senão um planeta incrustativo muito moderno, composto de materiais muito antigos.
"Depois da retirada do planeta desconhecido, chegada à maturidade, ou em harmonia com aquele que existia no lugar que ocupamos hoje, a alma da Terra recebeu a ordem de reunir os seus satélites, para formar o nosso globo atual, segundo as regras do progresso em tudo e por tudo. Somente quatro desses astros consentiram na associação que lhes era proposta; só a Lua persistia em sua autonomia, porque os globos têm também o seu livre arbítrio. Para proceder a essa fusão, a alma da Terra dirigia
(1) Senhor Michel, de Figagnères (Var), autor da Chave da vida.