| A GÊNESE - CAPÍTULO DÉCIMO | 1825 |
Quem conhece o segredo de todas as transformações? Quando se vê o carvalho sair da bolota, quem pode dizer se um laço misterioso não existe do pólipo ao elefante? (Nº 25).
No estado atual dos nossos conhecimentos, não podemos colocar a teoria da geração espontânea permanente senão como uma hipótese, mas como uma hipótese provável, e que, talvez, um dia tome lugar entre as verdades científicas reconhecidas (1).
ESCALA DOS SERES ORGÂNICOS
24. Entre o reino vegetal e o reino animal, não há delimitação nitidamente traçada. Sobre os confins dos dois reinos estão os zoófitos ou animais-plantas, cujo nome indica que se ligam a um e ao outro: são o traço de união.
Como os animais, as plantas nascem, vivem, crescem, nutrem-se, respiram, se reproduzem e morrem. Como eles, para viverem, elas têm necessidade de luz, de calor, de água; se disso estão privadas, definham e morrem; a absorção de um ar viciado e de substâncias deletérias, envenena-as. Seu caráter distintivo e mais marcante é estarem ligadas ao solo e dele tirarem o seu alimento sem deslocamento.
O zoófito tem a aparência exterior da planta; como planta, prende-se ao solo; como animal, a vida nele é mais acentuada; haure o seu alimento no meio ambiente.
Um degrau acima, o animal está livre para ir procurar o seu alimento: são, de início, as inumeráveis variedades de pólipos com corpos gelatinosos, sem órgãos bem distintos, e que não diferem das plantas senão pela locomoção; depois vêm, na ordem do desenvolvimento dos órgãos, da atividade vital e do instinto: os helmintos ou vermes intestinais; os moluscos, animais carnudos sem ossos, dos quais uns são nus, como as lesmas, os polvos, os outros são providos de conchas como os caracóis, as ostras; os crustáceos cuja pele é resvestida de uma crosta dura, como os caranguejos, as lagostas; os insetos, nos quais a vida toma
(1) Revista Espírita, julho de 1868, página 261: Desenvolvimento da teoria da geração espontânea.