| A GÊNESE - CAPÍTULO DÉCIMO-TERCEIRO | 1876 |
OS MILAGRES
SEGUNDO O ESPIRITISMO
CAPÍTULO XIII
CARACTERES DOS MILAGRES
Os milagres no sentido teológico. O Espiritismo não faz milagres. Deus faz milagres? O sobrenatural e as religiões.
OS MILAGRES NO SENTIDO TEOLÓGICO
1. Em sua acepção etimológica, a palavra milagre (de mirari, admirar) significa: admirável, coisa extraordinária, surpreendente. A Academia define esta palavra: Um ato de poder divino contrário às leis conhecidas da Natureza.
Em sua acepção usual, esta palavra perdeu, como tantas outras, o seu significado primitivo. De geral que era, ela se restringe a uma ordem particular de fatos. No pensamento das massas, um milagre implica a idéia de um fato sobrenatural; no sentido teológico, é uma derrogação das leis da Natureza, pelas quais Deus manifesta o seu poder. Tal é, com efeito, a acepção vulgar, tornada o sentido próprio, e não é senão por comparação e por metáfora que ele é aplicado às circunstâncias comuns da vida.
Um dos caracteres do milagre, propriamente dito, é o de ser inexplicável, por isso mesmo que se cumpre fora das leis naturais; e é de tal modo a idéia que se lhe liga que, se um fato miraculoso vem a encontrar a sua explicação, diz-se que não é mais um milagre, por supreendente que seja. O que faz, para a Igreja, o mérito dos milagres é precisamente a sua origem sobrenatural, e a impossibilidade de explicá-los; ela está tão bem fixada sobre