| A GÊNESE - CAPÍTULO DÉCIMO-TERCEIRO | 1878 |
foi expulso da espiritualidade, não tem mais razão de ser, e é então somente que se poderá dizer que passou o tempo dos milagres. (Cap. I, nº 18.)
O ESPIRITISMO NÃO FAZ MILAGRES
4. O Espiritismo vem, pois, ao seu turno, fazer o que cada ciência fez em seu advento: revelar novas leis, e explicar, por conseqüência, os fenômenos que são da alçada dessas leis.
Esses fenômenos, é verdade, se prendem à existência dos Espíritos e à sua intervenção no mundo material; ora, aí está, diz-se, o que é o sobrenatural. Mas então seria necessário provar que os Espíritos, e as suas manifestações, são contrários às leis da Natureza; que isso não é, e não pode aí estar uma dessas leis.
O Espírito não é outro senão a alma que sobrevive ao corpo; é o ser principal uma vez que não morre, ao passo que o corpo não é senão um acessório que se destrói. Sua existência é, pois, tudo tão natural depois como durante a encarnação; ela está submetida às leis que regem o princípio espiritual, como o corpo está submetido às que regem o princípio material; mas como estes dois princípios têm uma afinidade necessária, que reagem incessantemente um sobre o outro, que, de sua ação simultânea, resultam o movimento e a harmonia do conjunto, segue-se que a espiritualidade e a materialidade são duas partes de um mesmo todo, tão naturais uma quanto a outra, e que a primeira não é uma exceção, uma anomalia na ordem das coisas.
5. Durante a sua encarnação, o Espírito atua sobre a matéria por intermédio de seu corpo fluídico ou perispírito; ocorre o mesmo fora da encarnação. Ele faz, como Espírito e na medida de suas capacidades, o que fazia como homem; como ele não tem mais seu corpo carnal por instrumento, somente se serve dos órgãos materiais de um encarnado, que se torna o que se chama médium. Ele faz como aquele que, não podendo ele mesmo escrever, toma emprestada a mão de um secretário; ou que, não sabendo uma língua, serve-se de um intérprete. Um secretário, um intér-