| O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO II - CAP. VI - VIDA ESPÍRITA | 191 |
307 Como a vida passada se retrata na memória do Espírito? Por um esforço da sua imaginação ou como num quadro que tenha diante dos olhos?
De uma e outra maneira; todos os atos de que tenha interesse de se lembrar são para ele como se fossem presentes. Os outros estão mais ou menos vagos em sua mente ou totalmente esquecidos. Quanto mais se desmaterializa, menos importância atribui às coisas materiais. Fazes, freqüentemente, a evocação de um Espírito errante que acabou de deixar a Terra e que não se lembra mais os nomes das pessoas que amou, nem os detalhes que te parecem importantes; é que pouco lhe interessam e caem no esquecimento. O que ele se lembra muito bem são os fatos principais que o ajudam a melhorar-se.
308 O Espírito se lembra de todas as existências que precederam a última que acaba de deixar?
Todo o seu passado se desenrola diante dele, como as etapas do caminho que o viajante percorreu. Mas dissemos que ele não se lembra de maneira absoluta de todos os atos, recordando-os em razão da influência que têm sobre seu estado presente. Quanto às primeiras existências, as que podemos considerar a infância do Espírito, perdem-se no vago e desaparecem na noite do esquecimento.
309 De que maneira o Espírito considera o corpo que acaba de deixar?
Como uma veste incômoda que o molestava e da qual se sente feliz por estar livre.
Que sentimento lhe faz experimentar a visão do seu corpo em decomposição?
Quase sempre de indiferença, como por uma coisa que não tem mais.
310 Ao cabo de um certo lapso de tempo, o Espírito reconhece os ossos ou outros objetos que lhe tenham pertencido?
Algumas vezes; isso depende do ponto de vista mais ou menos elevado sob o qual considera as coisas terrenas.