| OBRAS PÓSTUMAS - PRIMEIRA PARTE | 2044 |
DISCURSO
PRONUNCIADO
SOBRE O TÚMULO DE ALLAN KARDEC
POR CAMILLE FLAMMARION
Senhores,
Aquiescendo com deferência ao convite simpático dos amigos do pensador laborioso, cujo corpo terrestre jaz agora aos nossos pés, lembro-me de um dia sombrio do mês de dezembro de 1865. Eu pronunciava, então, supremas palavras de adeus sobre a tumba do fundador da Librairie Académique, do honorável Didier, que foi, como editor, o colaborador convicto de Allan Kardec na publicação das obras fundamentais de uma doutrina que lhe era cara, e que morreu subitamente também, como se o céu quisesse poupar, a esses dois Espíritos íntegros, o embaraço filosófico de sair desta vida por um caminho diferente do caminho comumente recebido. A mesma reflexão se aplica à morte de nosso antigo colega Jobard, de Bruxelas.
Hoje, a minha tarefa é maior ainda, porque gostaria de poder representar, ao pensamento daqueles que me ouvem, e àqueles milhões de homens que no novo mundo estão ocupados com o problema ainda misterioso dos fenômenos denominados espíritas; eu gostaria, disse eu, de poder representar-lhes o interesse científico e o futuro filosófico do estudo desses fenômenos (ao