| O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO II - CAP. VII - RETORNO À VIDA CORPORAL | 210 |
381 Morrendo a criança, o Espírito retoma imediatamente o seu vigor anterior?
Ele o deve retomar, pois está desembaraçado do seu envoltório carnal; entretanto, não readquire sua lucidez anterior senão quando a separação for completa, quer dizer, quando não exista mais nenhum laço entre o Espírito e o corpo.
382 Sofre o Espírito encarnado, durante a infância, com o constrangimento que lhe impõe a imperfeição dos seus órgãos?
Não; esse estado é uma necessidade, é natural e segundo as vistas da Providência: é um tempo de repouso para o Espírito.
383 Qual é, para o Espírito, a utilidade de passar pelo estado de infância?
O Espírito se encarnando para se aperfeiçoar, é mais acessível, durante esse período, às impressões que recebe e que podem ajudar o seu adiantamento, para o qual devem contribuir aqueles que estão encarregados da sua educação.
384 Por que as primeiras crises da criança são de choro?
Para excitar o interesse da mãe e provocar as atenções que lhe são necessárias. Não compreendes que se ela tivesse apenas crises de alegrias, quando ainda não sabe falar, pouco se inquietariam com suas necessidades? Admirai em tudo a sabedoria da Providência.
385 De onde provém a mudança que se opera no caráter, a uma certa idade, e particularmente ao sair da adolescência? É o Espírito que se modifica?
É o Espírito que retoma sua natureza e se mostra como ele era. Não conheceis os segredos que escondem as crianças em sua inocência; não sabeis o que são, o que foram e o que serão, e, todavia, as amais, as quereis bem como se fossem uma parte de vós mesmos, a tal ponto que o amor de uma mãe por seus filhos é considerado o maior amor que um ser pode ter por um outro ser. De onde vem essa doce afeição, essa terna benevolência