| OBRAS PÓSTUMAS - PRIMEIRA PARTE | 2129 |
de uma obstinação irrefletida! Uma pessoa poderia lhe dizer: "Não tenteis tal coisa porque as vossas faculdades intelectuais são insuficientes, porque ela não convém nem ao vosso caráter, nem à vossa constituição física, ou bem ainda porque não sereis secundado segundo a necessidade; ou bem ainda porque vos enganais sobre a importância dessa coisa, porque encontrareis tal entrave que não prevedes." Em outras circunstâncias, ter-lhe-ia dito: "Triunfareis em tal coisa, se a tomardes de tal ou tal maneira; se evitardes tal deligência que pode vos comprometer." Sondando as disposições e o caráter, ter-lhe-ia dito: "Desconfiai de tal armadilha que se quer vos estender;" depois teria acrescentado: "Estais prevenidos, meu papel está findo; eu vos mostro o perigo; se sucumbirdes não acuseis nem a sorte, nem a fatalidade, nem a Providência, mas só a vós. Que pode o médico, quando o enfermo não tem em nenhuma conta os seus conselhos?"