| OBRAS PÓSTUMAS - PRIMEIRA PARTE | 2267 |
popularizada do que se tivesse revestido, desde a origem, uma forma severa; mas desses meios levianos e negligentes saíram pensadores sérios.
Esses fenômenos, colocados em moda pelo atrativo da curiosidade, tornados uma admiração, tentaram a cupidez de pessoas à espreita do que é novo, na esperança de aí encontrar uma porta aberta. As manifestações pareciam uma matéria maravilhosamente explorável, e mais de um sonhou em dela fazer um auxiliar de sua indústria; outros nela viram uma variante da arte da adivinhação, talvez um meio mais seguro do que a cartomancia, a marca de café, etc, etc, para conhecer o futuro e descobrir as coisas ocultas, porque, segundo a opinião de então, os Espíritos deveriam tudo saber.
Desde que essas pessoas viram que a especulação escapava de suas mãos e voltava à mistificação, e os Espíritos não vinham ajudá-las a fazer fortuna, lhes dar bons números para a loteria lhes dizer a boa aventura verdadeira, lhes fazer descobrir tesouros ou recolher heranças, lhes dar uma boa invenção frutífera e patenteável, suprir sua ignorância e lhes dispensar do trabalho material e intelectual, os Espíritos não eram bons para nada, e suas manifestações não eram senão ilusões. Tanto enalteceram o Espiritismo enquanto tiveram a esperança de dele tirar um proveito qualquer, tanto o denegriram quando veio o desapontamento. Mais de um crítico que o ridicularizou, o levaria às nuvens se lhe houvesse feito descobrir um tio na América, ou ganhar na Bolsa. É a mais numerosa categoria dos desertores, mas se concebe que não se pode, conscientemente, qualificá-los de espíritas.
Essa fase teve igualmente a sua utilidade; mostrando o que não se devia esperar do concurso dos Espíritos, fez conhecer o objetivo sério do Espiritismo, ela depurou a Doutrina. Os Espíritos sabem que as lições da experiência são as mais proveitosas; se, desde o princípio, houvessem dito: Não pergunteis tal ou tal