| OBRAS PÓSTUMAS - SEGUNDA PARTE | 2361 |
II
DOS CISMAS
Uma questão que se apresenta em primeiro lugar no pensamento é a dos Cismas que poderão nascer no seio da Doutrina; o Espiritismo deles será preservado?
Não, seguramente, porque terá, no começo sobretudo, que lutar contra as idéias pessoais, sempre absolutas, tenazes, lentas em se harmonizarem com as idéias de outrem, e contra a ambição daqueles que querem ligar, mesmo assim, o seu nome a uma inovação qualquer; que criam novidades unicamente para poderem dizer que não pensam e não fazem como os outros; ou porque o seu amor-próprio sofre por não ocupar senão uma posição secundária.
Se o Espiritismo não pode escapar das fraquezas humanas, com as quais é preciso sempre contar, pode paralisar-lhes as conseqüências, e é o essencial.
Há a se notar que os numerosos sistemas divergentes, eclodidos na origem do Espiritismo, sobre a maneira de explicar os fatos, desapareceram à medida que a Doutrina foi completada pela observação e por uma teoria racional; é com dificuldade, hoje, se esses primeiros sistemas encontram alguns raros partidários. Aí está um fato notório de onde se pode concluir que as últimas divergências se apagarão com a completa elucidação de todas as partes da Doutrina; mas haverá sempre dissidentes de caso pensado, interessados, por uma causa ou por outra, em constituir bando à parte: é contra essa pretensão que é preciso se premunir.
Para se assegurar da unidade no futuro, uma condição é indispensável, é que todas as partes do conjunto da Doutrina sejam determinadas com precisão e clareza, sem nada deixar no vago; para isso fizemos de modo que os nossos escritos não possam dar lugar a nenhuma interpretação contraditória, e trataremos que