OBRAS PÓSTUMAS - SEGUNDA PARTE 2364

A imobilidade, em lugar de ser uma força, se torna uma causa de fraqueza e de ruína, para quem não segue o movimento geral; rompe a unidade porque aqueles que querem ir adiante se separam daqueles que se obstinam em permanecer atrasados. Mas, seguindo em tudo o movimento progressivo, é necessário fazê-lo com prudência e se guardar de dar-se, temerariamente, aos sonhos das utopias e dos sistemas; é preciso fazê-lo a tempo, nem muito cedo e nem muito tarde, e com conhecimento de causa.

Compreende-se que uma doutrina, assentada sobre tais bases, deva ser realmente forte; desconfia de toda concorrência e neutraliza a pretensão de seus competidores.

A experiência, aliás, já justificou essa previsão. Tendo a Doutrina caminhado sem cessar nesse caminho, desde a sua origem, constantemente avançou, mas sem precipitação, olhando sempre se o terreno, onde ela põe o pé, está sólido, e medindo seus passos sobre o estado da opinião. Ela faz como o navegador que não segue senão com a sonda na mão e consultando os ventos.

III

O CHEFE DO ESPIRITISMO

Mas quem estará encarregado de manter o Espiritismo nesse caminho? Quem terá o lazer e a perseverança para se entregar ao trabalho incessante que exige semelhante tarefa? Se o Espiritismo estiver entregue a si mesmo, sem guia, não é de se temer que se desvie de sua rota? Que a malevolência, com a qual estará em luta por muito tempo ainda, não se esforce em desnaturar-lhe o espírito? Aí está, com efeito, uma questão vital, e cuja solução é de um interesse maior para o futuro da Doutrina.

A necessidade de uma direção central superior,