| O QUE É O ESPIRITISMO - CAPÍTULO PRIMEIRO | 2483 |
mais de um cérebro. Sabe-se, acaso, o número de vítimas que se fez amedrontando-se imaginações fracas com esse quadro que se esforça em tornar mais assustador por detalhes hediondos? O diabo, diz-se, não assusta senão as crianças e é um freio para torná-las sábias; sim, como o bicho papão e o lobisomem, e quando elas não têm mais medo, tornam-se piores que antes. E, para esse belo resultado, não se conta o número de epilepsias causadas pela comoção de um cérebro delicado.
É preciso não confundir a loucura patológica com a obsessão. Esta não se origina de nenhuma lesão cerebral, mas da subjugação que Espíritos malfazejos exercem sobre certos indivíduos, e tem por vezes as aparências da loucura propriamente dita. Essa doença, que é muito freqüente e independente de qualquer crença no Espiritismo, existiu em todos os tempos. Nesse caso, a medicação ordinária é ineficaz e mesmo nociva. O Espiritismo, fazendo conhecer esta nova causa de perturbação da saúde, dá ao mesmo tempo o único meio de triunfar sobre ela, agindo não sobre a doença, mas sobre o Espírito obsessor. Ele é o remédio e não a causa do mal.
ESQUECIMENTO DO PASSADO
Visitante Eu não entendo como o homem pode aproveitar a experiência adquirida em suas existências anteriores, se delas não se lembra, porque, desde o momento em que delas não se recorda, cada existência é para ele como se fosse a primeira e, assim, tem sempre que recomeçar. Suponhamos que, cada dia, ao despertarmos, percamos a memória do que fizemos na véspera, nós não seríamos mais avançados aos setenta anos que aos dez anos; enquanto que lembrando nossas faltas, nossas imperfeições e as punições em que incorremos, diligenciaríamos para não recomeçarmos. Para me servir da comparação que haveis feito do homem