O QUE É O ESPIRITISMO - CAPÍTULO SEGUNDO 2523

leviandade por aqueles mesmos que dela se dizem seus adeptos. Um estudo prévio os ensinará a julgar a importância daquilo que vêem e a separar o bom do mau.

6 - O mesmo raciocínio se aplica àqueles que julgam o Espiritismo por certas obras excêntricas que não podem dele dar senão uma idéia incompleta e ridícula. O Espiritismo sério não é mais responsável por aqueles que o compreendem mal ou o praticam insensatamente, do que a poesia não é responsável por aqueles que fazem maus versos. É deplorável, diz-se, que tais obras existam, porque elas comprometem a verdadeira ciência. Sem dúvida, seria preferível que ele não tivesse senão obras boas; mas o maior erro cabe àqueles que não se dão ao trabalho de tudo estudar. Todas as artes, todas as ciências, aliás, estão no mesmo caso; não há sobre as coisas mais sérias tratados absurdos e cheios de erros? Por que o Espiritismo seria privilegiado a esse respeito, sobretudo em seu início? Se aqueles que o criticam não o julgassem pelas aparências, saberiam o que ele admite e o que ele rejeita, e não o acusariam daquilo que ele repudia em nome da razão e da experiência.

DOS ESPÍRITOS

7 - Os Espíritos não são, como freqüentemente se imagina, seres à parte na criação; são as almas daqueles que viveram sobre a Terra ou em outros mundos, despojados de seu envoltório corporal. Quem admitir a existência da alma sobrevivendo ao corpo, admite por isso mesmo a existência dos Espíritos. Negar os Espíritos seria negar a alma.

8 - Geralmente, faz-se um idéia muito falsa do estado dos Espíritos; eles não são, como alguns o crêem, seres vagos e indefinidos, nem chamas como os fogos-fátuos, nem fantasmas como nos contos de almas do outro mundo. São seres semelhantes a nós, tendo um corpo como o nosso, mas fluídico e invisível em seu estado normal.