| O LIVRO DOS MÉDIUNS - PRIMEIRA PARTE - CAPÍTULO III | 481 |
mente se aproveitar aqueles que desejam instruir-se por si mesmos; neles encontramos o meio de atingir mais seguramente, e mais prontamente o objetivo.
19. Crê-se geralmente que, para convencer, basta mostrar os fatos; esse parece com efeito o caminho mais lógico, e, todavia, a experiência mostra que não é sempre o melhor, porque vê-se, freqüentemente, pessoas às quais os fatos mais patentes não convencem de modo algum. A que se deve isso? É o que vamos tentar demonstrar.
No Espiritismo, a questão dos Espíritos é secundária e consecutiva; não é o ponto de partida, e aqui precisamente está o erro em que se cai e que, freqüentemente, leva ao fracasso diante de certas pessoas. Os Espíritos, não sendo outra coisa senão a alma dos homens, o verdadeiro ponto de partida, pois, é a existência da alma. Ora, como o materialista pode admitir que os seres vivem fora do mundo material, quando crê que ele mesmo não é senão matéria? Como pode crer em Espíritos fora de si, quando não crê ter um em si? Em vão acumular-se-iam diante de seus olhos as provas mais palpáveis; contestá-las-á todas porque não admite o princípio. Todo ensinamento metódico deve partir do conhecido para o desconhecido; para o materialista o conhecido é a matéria; parti, pois, da matéria, e esforçai-vos antes de tudo, fazendo-o observá-la, de convencê-lo de que, nele, há alguma coisa que escapa às leis da matéria; em uma palavra, antes, de torná-lo Espírita, esforçai-vos em torná-lo Espiritualista; mas, para isso, há toda uma outra ordem de fatos, um ensinamento todo especial, para o qual é preciso operar por outros meios; falar-lhe dos Espíritos, antes que esteja convencido de ter uma alma, é começar por onde ele deveria acabar, porque não pode admitir a conclusão se não admite as premissas. Antes, pois de procurar convencer um incrédulo, mesmo pelos fatos, convém se assegurar da sua opinião com respeito à alma, quer dizer, se crê em sua existência, em sua sobrevivência ao corpo, em sua individualidade após a morte; se sua resposta for negativa, será trabalho perdido falar-lhe dos Espíritos. Eis a regra. Não dizemos que ela seja sem