O LIVRO DOS MÉDIUNS - PRIMEIRA PARTE - CAPÍTULO IV 494

SISTEMAS

36. Quando os estranhos fenômenos do Espiritismo começaram a se produzir, ou por melhor dizer, se renovaram nestes últimos tempos, o primeiro sentimento que despertaram foi o da dúvida sobre a sua própria realidade, e ainda mais sobre a sua causa. Logo que foram averiguados por testemunhos irrecusáveis e pelas experiências que cada um pôde fazer, sucedeu que cada um os interpretou à sua maneira, segundo suas idéias pessoais, suas crenças ou suas prevenções; daí, vários sistemas que uma observação mais atenta viria reduzir ao seu justo valor.

Os adversários do Espiritismo acreditaram encontrar um argumento  nessa  divergência de opiniões, dizendo que os próprios espíritas não estavam de acordo entre si. Era uma razão bem pobre, se se reflete que os passos de toda ciência nascente são necessariamente incertos, até que o   tempo  haja  permitido colecionar e coordenar os fatos que  podem  fundamentar  a opinião; à medida que os fatos se completam  e são melhor observados, as idéias prematuras  se  apagam  e  a unidade  se estabelece, pelo menos sobre os  pontos  fundamentais,  senão   em todos os detalhes. Foi o  que  ocorreu  com  o  Espiritismo;   não  podia   escapar  à lei   comum e  devia  mesmo,  por sua natureza, se prestar mais  do  que toda outra coisa à diversidade de interpretações. Pode-se mesmo  dizer  que,  a   esse  respeito, foi mais rápido  do  que  outras  ciências mais antigas, a   Medicina  por  exemplo, que divide ainda os maiores sábios.