| O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO XXIV | 747 |
o Espírito não diz senão boas coisas, pouco importa o nome sob o qual elas são dadas.
Objetar-se-á, sem dúvida, que o Espírito que toma um nome suposto, mesmo para não falar senão do bem, não cometeria com isso menos fraude, e daí não pode ser um bom Espírito. É aqui que há nuanças delicadas, bastante difíceis de apreender, e que vamos tentar desenvolver.
256. À medida que os Espíritos se purificam e se elevam na hierarquia, os caracteres distintivos da sua personalidade se apagam, de alguma sorte, na uniformidade da perfeição, e, apesar disso, não conservam menos sua individualidade; é o que ocorre com os Espíritos superiores e os Espíritos puros. Nesta posição, o nome que tinham na Terra, em uma das milhares de existências corporais efêmeras pelas quais passaram, é uma coisa de todo insignificante. Anotamos, ainda, que os Espíritos são atraídos, uns para os outros, pela semelhança de suas qualidades, e formam, assim, grupos ou famílias simpáticas. Por outro lado, se se considera o número imenso de Espíritos que, desde a origem dos tempos, devem ter chegado às primeiras classes, e se são comparados com o número restrito de homens que deixaram um grande nome na Terra, compreender-se-á que, entre os Espíritos superiores que podem se comunicar, a maioria não deve ter nome para nós; porém, como necessitamos de nome para fixarmos nossas idéias, podem tomar o nome de um personagem conhecido cuja natureza se identifica melhor com a sua; assim é que nossos anjos guardiães se fazem conhecer, o mais freqüentemente, sob o nome de um santo que veneramos, e geralmente sob o nome daquele pelo qual temos mais simpatia. Daí se segue que, se o anjo guardião de uma pessoa se dá por São Pedro, por exemplo, não há nenhuma prova material que seja precisamente o apóstolo desse nome; pode ser ele como ser um Espírito totalmente desconhecido, pertencente à família de Espíritos da qual São Pedro faz parte; segue-se, ainda, que, qualquer que seja o nome pelo qual se invoca o anjo guardião, ele virá ao apelo que lhe é feito, porque é atraído pelo pensa-