| O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO XXVI | 799 |
à qual o Espírito pode ter assistido e se dispôs a responder. Notar-se-á que, com muita freqüência, o Espírito responde por antecipação a certas perguntas, o que prova que as conhecia previamente.
O fundo da pergunta requer uma atenção ainda mais séria, porque, freqüentemente, é a natureza da pergunta que provoca uma resposta justa ou falsa; há aquelas sobre as quais os Espíritos não podem ou não devem responder, por motivos que nos são desconhecidos; é, pois, inútil insistir; mas o que se deve evitar, acima de tudo, são as perguntas feitas com o objetivo de pôr sua perspicácia à prova. Quando uma coisa existe, diz-se, eles devem conhecê-la; ora é precisamente porque a coisa vos é conhecida, ou porque tendes os meios de verificá-la vós mesmos, que não se dão ao trabalho de responder; essa suspeita os magoa e nada obtém de satisfatório. Disso não temos exemplos todos os dias entre nós? Os homens superiores, que têm consciência do seu valor, se alegrariam em responder a todas as tolas perguntas que tendessem a submetê-los a um exame como se fossem escolares? O desejo de fazer um adepto a tal ou tal pessoa, não é para os Espíritos, motivo para satisfazer uma vã curiosidade; sabem que a convicção chegará cedo ou tarde, e os meios que empregam para provocá-la são sempre os que pensamos.
Imaginai um homem grave, ocupado com coisas úteis e sérias, incessantemente importunado por perguntas pueris de uma criança, e tereis uma idéia do que devem pensar os Espíritos superiores de todas as bagatelas que se lhes debita. Não se segue que não se possam obter, da parte dos Espíritos, esclarecimentos úteis e, sobretudo, conselhos muitos bons, mas, respondem mais ou menos bem, segundo os conhecimentos que eles próprios possuem, o interesse que mereçamos de sua parte e a afeição que nos dedicam e, enfim, segundo o objetivo proposto e a utilidade que vêem na coisa; mas, se todo o vosso pensamento se limita a julgá-los mais aptos que outros para nos esclarecer utilmente sobre as coisas desse mundo, não podem ter por nós uma profunda simpatia; des-