| O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO XXVIII | 828 |
quanto às condições necessárias para servir de intérprete aos bons Espíritos, as causas numerosas que podem distanciá-los, as circunstâncias independentes da sua vontade que, freqüentemente, são um obstáculo à sua vinda, enfim, todas as condições morais que podem exercer influência sobre a natureza das comunicações, como se poderia supor que um Espírito, pouco elevado que fosse, a cada hora do dia, esteja às ordens de um empreiteiro de sessões e submetido às suas exigências para satisfazer a curiosidade do primeiro que chega? Sabe-se da aversão dos Espíritos por tudo o que cheira a cupidez e egoísmo, o pouco caso que fazem das coisas materiais e querer-se-ia que eles ajudassem os que andassem a traficar a sua presença! Isso repugna ao pensamento, e precisar-se-ia conhecer bem pouco a natureza do mundo espírita para crer que possa ser assim. Mas como os Espíritos levianos são menos escrupulosos, e não procuram senão ocasião para se divertirem às nossas custas, disso resulta que, não sendo mistificado por um falso médium, se tem toda a chance de sê-lo por alguns dentre eles. Somente essas reflexões dão a medida do grau de confiança que se deveria conceder às comunicações desse gênero. De resto, a quem serviriam hoje os médiuns pagos, uma vez que, se não se tem em si mesmo essa faculdade, pode-se encontrá-la na família, entre os amigos ou seus conhecidos?
306. Os médiuns interesseiros não são unicamente aqueles que poderiam exigir uma retribuição fixa; o interesse não se traduz sempre pela esperança de um ganho material, mas também pela intenção ambiciosa de toda natureza sobre as quais se pode apoiar esperanças pessoais; aí está ainda um flanco que sabem muito bem agarrar os Espíritos zombeteiros e o qual aproveitam com uma habilidade, uma astúcia verdadeiramente notável, embalando com enganosas ilusões aqueles que assim se colocam sob sua dependência. Em resumo, a mediunidade é uma faculdade dada para o bem e os bons Espíritos se afastam de quem quer que pretenda fazer deles estribo para alcançar o que quer que seja, que não responda aos objetivos da Providência. O egoísmo é a praga da sociedade; os bons Espíritos o combatem; não se pode supor que venham servi-lo.