| O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO XXIX | 840 |
toda a liberdade para se exibirem, e nas quais não faltam. É aí que se perguntam todas as espécies de banalidades, que se faz ler a boa sorte pelos Espíritos, que se coloca sua perspicácia à prova para adivinhar a idade, o que se tem no bolso, desvendar os pequenos segredos, e mil outras coisas dessa importância.
Essas reuniões são sem conseqüência; mas como os Espíritos levianos são, por vezes, muito inteligentes, e têm, em geral, humor fácil e jovial, aí se produzem, freqüentemente, coisas muito curiosas das quais o observador pode tirar o seu proveito; aquele que não tivesse visto senão isso, e julgasse o mundo dos Espíritos segundo essa amostra, se faria uma idéia tão falsa, como aquele que julgasse toda a sociedade de uma grande cidade pela de certos quarteirões. O simples bom-senso diz que o Espíritos elevados não podem vir em tais reuniões, onde os espectadores não são mais sérios do que os atores. Se se quer ocupar com coisas fúteis, é preciso, francamente, chamar os Espíritos levianos, como se chamariam os palhaços para divertirem uma sociedade, mas haveria profanação em, para elas, convidar nomes veneráveis, misturar o sagrado com o profano.
326. As reuniões experimentais têm mais especialmente por objeto a produção de manifestações físicas. Para muitas pessoas, é um espetáculo mais curioso do que instrutivo; os incrédulos delas saem mais admirados do que convencidos quando não viram outra coisa, e todo o seu pensamento gira em torno da procura dos artifícios, porque, não se apercebendo de nada, supõem naturalmente subterfúgios. Ocorre de outro modo, com aqueles que estudaram; compreendem primeiro a possibilidade, e os fatos positivos determinam em seguida ou completam sua convicção; se houver subterfúgios, eles mesmos descobrirão.
Não obstante isso, essas espécies de experimentações têm uma utilidade que ninguém poderia desconhecer, porque foram elas que fizeram descobrir as leis que regem o mundo invisível e, para muita gente, sem contradita, são um poderoso motivo de convicção; mas sustentamos que